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Um relato sobre apego e controle

Um relato sobre apego e controle

 

Eu não sei se todo mundo vive em algum momento a fase do semiadulto-tentando-encontrar-sentido-em-qualquer-coisa, mas eu estou no modo “parafraseando a seção hippie quotes do Pinterest: “tudo se conecta”. E no meio dessa metáfora, eu aprendi sobre apego, não aquela relação de dependência por alguém, mas por algo. 

 

Essa noite lembrei da mensagem emocionada que recebi de uma amiga durante a semana, ela tinha acabado de ler um livro que eu emprestei e não conseguia parar de chorar. Foi isso que O Peso do Pássaro Morto fez comigo também quando li, pensei que deve ser porque ele narra a vida de uma mulher e desperta sentimentos intensos que só a gente é capaz de reconhecer.

Daí comecei a pensar sobre empatia e que já ouvi em alguns podcasts especialistas no assunto dizendo que usamos esse termo de uma forma muito generalista e incorreta, e na maioria das vezes usavam o exemplo óbvio: um homem não pode ter empatia por uma grávida. Simplesmente porque ele não consegue compreender emocionalmente as sensações daquela situação. Parei de pensar nisso em algum momento que peguei no celular, entrei no Spotify pra procurar o nome de um podcast e comecei a ouvir minha música do momento, Só Por Uma Noite, do Fábio Brazza e Péricles (???). Que combinação! Pensei nisso também.

 

Lembrei do livro de novo e de uma mania que eu tive por um tempo: fotografar meus amigos com o livro quando eu emprestava. Uma técnica meio geração Z de controlar o escambo entre amigos. Aparentemente sem relação nenhuma, resgatei os ensinamentos de Walter Riso - que ouvi em um curso online que é resultado da quarentena - ele é uma das grandes referências literárias sobre o apego. Riso diz que há algumas formas de saber se você está apegado, são:
– Saber ver se o seu desejo é ou não insaciável: se não se sacia nunca e você sempre precisa de mais, você está sofrendo de apego.
– Se você perdeu o autocontrole: se você já não é o dono da sua própria conduta, e sim um escravo desse apego.
– Se estar sem esse objeto de desejo lhe provoca um mal-estar intenso.
– Se você continua apegado a esse algo, mesmo sabendo que é prejudicial para você.

Então entendi por que pensei nisso, esse “controle de devolução” era só mais um apego. Cheguei a essa conclusão e fiquei feliz, porque emprestei pelo menos mais uns dez livros por aí que não verei mais. Eu preciso deles aqui? Definitivamente não. “Eu prefiro ter meus livros rodando por aí”, disseram no Baseado em Fatos Surreais esses dias. Lembrei disso também.

 

Meu lado visual imaginou uma rede de conexões entre todas essas coisas que eu pensei e fiquei curiosa por saber como funciona o caminho da mente para pular de um assunto pro outro assim. A palavra rede me lembra o conceito de Era da Complexidade, de conectividade e combinatividade, ensinamentos do Murilo Gun – do meu curso de quarentena – provavelmente porque eu vejo isso escrito todos os dias, nos mapas mentais que fiz dessa aula e colei na parede do meu home office. Ao lado dos outros 4 dos outros módulos.
Acho que eu estou viciada em fazer mapa mental. Fui dormir com essa.

Pula para hoje às seis e pouco da manhã, que ao invés de acordar às seis da manhã com o solzinho na janela como de costume, eu acordei com um barulho de papel. Minha cachorra, a Panqueca, se encontrava num estado de euforia entre os pedaços do mapa mental mais recente que eu tinha feito e não colado na parede ainda.

Eu tinha planejado levantar às oito, preparar os posts da semana, escrever pelo menos três tetxos pro blog, fazer almoço, descansar - pelo menos eu planejo isso também - fazer o roteiro e gravar o podcast e depois podia ver minha série em paz, lá pelas oito também, da noite. 

 

Se eu fosse crente diria que aquilo foi um sinal divino, eu recolhi cada pedacinho pensando na conversa interna da noite anterior sobre apego e controle, Panqueca parecia que se soubesse falar teria dito um “toma, distraída” com gosto.

 

Dei comida pra ela e voltei a dormir. Domingão mulher, desapega! 
 

Transformação Criativa
Maiara Mota
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Profissional de recursos humanos e mais um monte de outras coisas, sou uma multipotencial em ebulição. Escrevo monólogos sobre trabalho e criatividade, mas pode ser que você encontre umas receitas por aqui.

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