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Sua caminhada tem sido perda de tempo ou bagagem?

Sua caminhada tem sido perda de tempo ou bagagem?

Estar conectada com a espiritualidade, ao mesmo tempo em que estou na formação sacerdotal de Umbanda, e ainda, estar se afastando dos 30 anos e chegando mais perto dos 40... Nossa, tudo isso me faz olhar tanto para dentro de mim mesma. O autoconhecimento, o olhar minucioso sobre a minha trajetória, analisar como foi essa construção do meu eu, isso tem sido um exercício diário para entender quem eu sou e ainda mais, saber quem quero ser.

Ser multipontencial sem ter o entendimento disso, me trouxe muitas angústias quando mais jovem. A impressão é de que a vida não vai para frente. Que apenas abrem e encerram pequenos ciclos, enquanto pessoas próximas, atém mesmo mais novas que você, já estão se formando, passando em concursos, tendo casa própria, viagens internacionais, e você ali, parecendo estar dando voltas numa rótula de uma cidade estranha, sem saber em qual via entrar, pois não sabe exatamente onde quer chegar.

Há quem diga que não sabemos o que queremos, que só inventamos moda, que estamos perdendo tempo. Hoje eu me perguntei isso, será que todas essas fases, que aos olhos de alguns ficaram incompletos, foram perca de tempo na minha vida? Então fui analisar ponto a ponto e percebi que cada vivência me gerou uma habilidade, um conhecimento, um aprendizado. Mas e agora, será que tudo isso são apenas peças soltas virando um fardo e então, vou concluir que foi perca de tempo, pois não cheguei a lugar algum? Para alguns pode ser que sim, mas para mim, se você acredita que a sua vida em algum momento foi perca de tempo, é porque você não está valorizando todas as oportunidades que a vida te deu.

Tenho para mim que tudo é processo. Tudo que vivemos é porque precisamos viver, exatamente dessa forma. Sejam momentos bons, alegres, felizes, tristes, dolorosos... todos, todos eles nos ensinam, nos tornam mais fortes e são como partes do nós. Mas na prática, como fica isso? Minha história é um tanto longa para este artigo, mas para exemplificar vou trazer para vocês o que o teatro me deu de presente a 20 anos atrás e hoje é que me dei conta disso.

Sim, fui atriz de teatro por quase 15 anos. Comecei muito nova em um grupo amador e depois fui convidada para um grupo profissional. No teatro, você além de ser o artista, construir o seu personagem, decorar seu texto, as marcações, as deixas dos companheiros de cena, ter visão periférica, saber tudo que acontece no palco e ainda estar pronto para improvisar, caso seja necessário, você também precisa ajudar a construir cenário, costurar figurino, quebrar a cabeça para compactar o cenário para caber no carro. Você precisa pensar em fazer toda a produção com menor custo, captar recursos para que possa pagar o teatro e no final sobrar um cachê. Você precisa ser produtor para negociar e divulgar o seu espetáculo. Ufa.... Pois é... no teatro, nem sempre tem verba para remunerar pessoas específicas para cada um executar uma atividade, nós nos viramos em 30 para fazer acontecer, e fizemos. E sim, é lindo! Sou apaixonada por esse mundo!

Mas voltando. Como que uma jovem de 15 anos que estudava em Colégio Militar e mal se comunicava, conseguiu fazer teatro? Até muito tempo eu acreditava que o teatro tinha apenas me deixado de herança essa facilidade de comunicação que tenho hoje. Porém, de um tempo pra cá, olhei mais de perto. E certamente, foi ele o meu despertador para ser multipotencial. Temos a máxima no mundo artístico de que ninguém é normal, e eu realmente nunca me senti normal. Até mesmo depois que me afastei dos palcos, continuei não sendo normal. Isso já estava entranhando em mim.

Então, como posso dizer que tudo isso foi perca de tempo? Muito pelo contrário... tudo isso é a minha bagagem. Tudo isso é o que me dá respaldo para não ter medo de novas oportunidades, assim como encarava novos espetáculos. Inclusive, uma vez eu caí em cena e fui para o pronto socorro no meio do espetáculo, onde a plateia na maioria eram crianças e acharam que tudo fazia parte da história. Neste dia, eles precisaram improvisar para terminar a história sem a minha personagem, no entanto, na apresentação seguinte eu já estava lá. Sim, me apresentei de pé engessado. E hoje se algo me derruba, eu choro, sinto aquela dor, mas logo seco as lágrimas e sigo em frente.

Tudo isso para dizer que, não caiam na decepção de que partes da tua vida foram perca de tempo. Tudo, absolutamente tudo na nossa vida acontece exatamente como tem que acontecer, para que possamos evoluir. O dia que você sentir-se perdido, faça uma visita ao seu passado e busque conectar tudo aquilo que foi vivido e o que cada detalhe te proporcionou para a sua vida hoje! Abra a sua mala e use toda a sua bagagem!

Transformação Criativa
Paula Saccol
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Uma apaixonada pela criatividade, que se descobriu multipotencial e hoje vive feliz com isso! Relações Públicas de formação e Umbandista de coração. Médium, oraculista do Baralho Cigano e Maga. Além de social media e produtora cultural.

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