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Lifelong Working

Lifelong Working

Life Long Working

 

Talvez você já tenha ouvido falar em Lifelong Learning ou LLL - vou adotar essa simpática sigla porque vou falar bastante sobre isso nesse artigo -, um termo ligado à educação continuada que tem algumas interpretações possíveis. Uma delas diz que nunca é tarde para aprender qualquer coisa, outra que você nunca vai parar de aprender, ou ainda que você é um eterno aprendiz. Mas a definição que eu mais me identifico é a que diz que nós estamos sempre aprendendo alguma coisa, o tempo todo.

Como educador, sempre procurei contextualizar as situações de aprendizagem a partir das minhas experiências e do que poderiam ser as experiências vividas pelos estudantes. Minhas aulas e atividades são sempre costuradas por referências, fatos, obras, artistas, memes, notícias, filmes, séries e tudo mais que eu consiga conectar com o tema ou com a habilidade que precisa ser desenvolvida e, pelo menos pra mim, isso sempre aconteceu de forma muito natural.

Este artigo mesmo, surgiu a partir de uma reflexão enquanto eu gravava um podcast sobre o que chamo de “olhar atento” ou “modo on”, que conectei com uma história contada pelo Paulinho Moska em um show. Eu tinha acabado de ler sobre LLL e foi quando que me dei conta de que nós estamos sim, aprendendo o tempo todo” mas também podemos estar trabalhando o tempo todo. E isso pode ser bom ou ruim. Mas não vamos entrar nesse mérito, pelo menos nesse artigo.

Resolvi falar sobre isso em uma das minhas aulas da oficina CRIATIVIDADE SEM FÓRMULAS, quando combinei o conceito de LLL com algumas das ideias centrais do livro O Ócio Criativo de Domenico De Masi e acabei descobrindo o termo Lifelong Working ou LLW – mais uma sigla nem tão simpática assim. Talvez alguém já tenha escrito ou falado algo parecido com isso mas, ainda assim, acho que vale compartilhar esse ponto de vista.

De Masi, defende em sua obra que “Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre o seu trabalho e o seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e a sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja, simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo.”

Nesse sentido cabe aqui destacar que o conceito de Lifelong Work, é muito diferente do de workaholic, que designa uma pessoa viciada em trabalho. O lifelong worker não pensa em trabalho o tempo todo, ele simplesmente entende que pode se deparar, a qualquer momento, com situações que podem dar origem a textos, músicas, aulas, produtos, etc.

Acho essa provocação muito pertinente. Acredito que quando incorporamos a ideia de que, assim como aprendemos também podemos estar trabalhando o tempo todo, nosso olhar fica muito mais apurado para contextualizar certas experiências e transformar o que vemos ou sentimos em projetos de produtos ou serviços. Esse é um dos caminhos para a inovação. 

Foi com este olhar atento que quatro estudantes de Design da PUC-Rio decidiram criar óculos de madeirano laboratório de prototipagem da universidade. Graças às obras de revitalização da região portuária, era fácil encontrar madeiras nobres descartadas em caçambas pela cidade, o que eles chamam de “madeira redescoberta”. Cada óculos tem gravado na haste, o nome da rua e o bairro onde a madeira foi encontrada. Uma estratégia poderosa de storytelling que torna cada produto único. Assim nasceu a Zerezes.

Atualmente, além de dar aulas e de criar cursos, sou designer e trabalho com criação de conteúdo e, neste caso, as ideias também surgem a qualquer momento. Eu posso sim estar lendo um livro ou uma notícia que que revele algum insight legal pra compartilhar nas minhas redes em forma de texto, vídeo ou podcast, por exemplo. Mas eu também encontro essas ideias em conversas, caminhadas, viagens e também em vídeos e imagens que circulam pela Internet.  

Estamos vivendo um momento muito favorável ao desenvolvimento de projetos paralelos e temos a nosso alcance, muitas ferramentas que nos ajudam a tirar essas ideias do papel. A Criosfera é um exemplo disso. Começou há 4 anos atrás, como uma proposta recusada de naming para um curso de criatividade. Mas eu gostei tanto do nome que resolvi registrar o domínio mesmo sem saber o que ia fazer com ele. Acho que ainda nem sei muito bem, mas em novembro de 2020, resolvi criar um curso de criatividade que virou uma oficina e depois um perfil para postar conteúdos no Instagram, um podcast e algumas outras coisas que estão vindo por aí.

Quando a gente dá forma e materializa nossas ideias, muitas coisas legais acontecem. A gente começa a conhecer e a se conectar com pessoas com interesses comuns e isso nos ajuda a entender melhor tudo o que essa ideia maluca pode se tornar. Esse é o espírito do lifelong worker. Estar atento para transformar suas experiências em projetos. 

E aí, se identificou? Acha que você também é um lifelong worker? Comenta aí o que você achou e aproveita para me seguir @marceloghizi e @criosfera. Bora conectar!

Transformação Criativa
Marcelo Ghizi
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Educador, criador da criosfera (@criosfera.br www.criosfera.com.br). Mestre em Ciência da Arte - UFF-RJ (2006) e Bacharel em Comunicação Social / Publicidade (1999). Criador de conteúdo e designer na Casa Firjan (www.casafirjan.com.br).

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