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Lembranças de Lugares Nunca Visitados

Lembranças de Lugares Nunca Visitados

Acreditava, num determinado momento da vida, que o século era 21, ano de 2018....mas então, tudo escureceu.

A decisão não passava por viver ou morrer, posto que a questão já era vencida há uns 10 anos, pelo menos. A questão era: se, como e onde.

Sim. E aí tem spoilers e clichês, claro: Arte Salva. 

Quase 30 anos de mercado publicitário, quebrado, divorciado, quebrado de novo (emocionalmente), especializado (mas "velho"), grupo de risco (reclassificado pela pandemia), e formado em Artes, ora vejam só...

Diagnosticado e salvo pela Sertralina e Cloripramina (só usem com acompanhamento médico, por favor!!), e livre da vontade de sumir desse planeta pela arma, e, no meu caso, preocupado em não poder ir pro céu depois isso, me deito e ponho um The Cure pra ouvir; que vira Depeche Mode e passa por Pink Floyd; aproveita carona e encontra Emerson Lake and Palmer; relembra Enigma e redescobre Era; viaja na sonoridade de Celtic Woman e Gregorian Hymn. E aí mora o perigo.

Não sei como a agulha pulou para Abney Park e Steam Powered Giraffe, mas uma vaga lembrança me diz que foi por causa de uma versão muito louca de Rihhana cuja estrofe diz: "beautiful like diamonds in the sky".

E, naquele cenário, comecei a me sentir saudoso, nostálgico (olha o sinal de recaída depressiva aí...) mas não triste nem melancólico (olha o tarja preta aí...). Me encantei de estar naquele momento. Aventura, descobertas, mulheres sensuais, homens elegantes, arte e arquitetura rebuscada, tecnologia de ponta de um mundo paralelo - bem "punk" achei.

In (quaren)Time, uma obra minha, já me dizia que "eu nasci há mais de mil anos atrás", e Raul está lá para confirmar. Por outro lado, Blade Runner me lembrava que "era hora de morrer" pois tudo que vivi era "como lágrimas na chuva".

Então eu era o quê: um vampiro que voltava ao Século XVIII e XIX para viver no vapor? Isso mesmo, tirando a parte do vampiro, claro (Gótico, somente na arquitetura, lettering e tatoo).

E, cheio do vapor daquele ambiente, a máquina do tempo me deixou meio lá e meio cá. 

E cá, percebi que eu era mais artista, mais criativo e gostava mais de viver do que antes. Que não tinha mais espaço para o ter, e ter sozinho. Não sobrava tempo pra pensar em como "eu" faria algo mas sim em como colocar o "nós" no processo. Nada de fazer solitário, mas tudo pelo fazer solidário. Tudo meio dieselpunk, ciberpunk e steampunk.

Perdi o senso de tempo, de urgência, de riqueza, do fast tudo, mas ganhei o de compartilhamento, de solidariedade, de empatia, de saudade das pessoas, de amar pessoas, senso de justiça comum, exposição e luta; renovar, reaproveitar e re-significar, tudo muito slow.

Então, não se espante se me encontrar por aí de chapéu e goggles, ou cartola, bandana, colete, suspensório, relógio de bolso, braceletes e correntes como se estivesse andando pelas ruas europeias nos séculos passados, com um sorriso que talvez não seja visto mas com os olhos mais brilhantes do que nunca, como se em busca da dama burlesca, quem sabe planejando um novo equipamento, ou em processo mental para uma nova obra.

Não serei um cosplay, e sim um louco vivendo sua loucura, e pelo que me consta, apenas mais um; vivenciando minha sub cultura retrô futurista, cheia do vapor steampunk.

Lembre-se, eu viajo no tempo...

 

Transformação Criativa
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