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Desmistificando a inovação com o olhar da Criatividade!

Desmistificando a inovação com o olhar da Criatividade!

Para que possamos falar mais profundamente sobre inovação, devemos entender a relação com criatividade. A criatividade é o primeiro passo para a inovação. Contudo, apesar de haver forte relação entre criatividade e inovação, nem sempre uma ideia criativa será uma inovação. Isso ocorre porque nem sempre uma ideia criativa tem, de fato, viabilidade no mundo real, ou seja, a ideia pode ser muito boa, mas não tem condições reais para sua implantação. Dessa forma, a inovação depende essencialmente de uma condição: sua viabilidade.

Fazer fluir a criatividade e transformá-la em produtos, serviços ou modelos de negócios inovadores está na pauta de todo empreendedor. Para isso, é preciso que a empresa, primeiramente, conheça com clareza quais são seus principais desafios estratégicos e onde, neles, existe terreno para a criatividade fertilizar resultados inovadores. Compreende-se que a criatividade precisa de um sujeito que ambiciona realizar algo novo para si mesmo ou para os outros. Nossa prática na implantação de modelos mentais criativos nas empresas nos faz adicionar mais um aspecto importante a ser considerado: estalos mentais espontâneos. Estudar, compreender e provocar esses estalos mentais espontâneos passou a ser nossa obrigação quando as empresas aceitam mudar seu modelo mental para fazer fluir a criatividade.

A criatividade é um processo cognitivo, individual ou coletivo, que gera ideias e perspectivas originais para uma determinada questão problemática ou não. Nesse sentido, acredita-se que a criatividade é pensar algo original e a inovação é a execução, ou seja, a inovação é a implantação da ideia criativa. O processo criativo funciona num contínuo movimento de divergência e convergência, no qual divergir é gerar ideias e convergir é selecionar. Divergir e convergir são os principais fundamentos da “Técnica Criativa para a Solução de Problemas” (CPS – Creative Problem Solving)

Criar um ambiente que promova a criatividade começa pelo reconhecimento expresso das lideranças sobre a importância da iniciativa e segue pela identificação sincera e isenta dos principais obstáculos à criatividade presentes na empresa e rigor no estabelecimento da estratégia de combate a eles. A vontade de fazer com que a criatividade flua, mesmo que venha de todos os colaboradores de uma empresa, não sobreviverá à resistência das lideranças, pois 67% do sucesso ou insucesso da iniciativa de promover a criatividade em qualquer tipo de organização depende do apoio dos líderes.

Sintetizando a Inovação

O tema Inovação lidera a lista de intenções e o vocabulário de todos os principais líderes empresariais. Em nosso país, algumas empresas seguem na vanguarda da inovação e se transformam em modelos a serem estudados. É o caso da Natura, que tanto nos orgulha por ser brasileira. A posição que ela ocupa no mercado permitiria que ela estivesse acomodada em seu sucesso incontestável. Ao contrário, ela segue buscando inovar em todos os seus passos. Recentemente, adotou o raciocínio de que nem todos os grandes cérebros trabalham na Natura e iniciou o Natura Campus, uma operação virtual de inovação aberta, na qual abre a busca de soluções inovadoras a cérebros externos à empresa, premiando as melhores soluções.

Não queira reinventar a roda: inúmeras empresas desenvolveram iniciativas para a geração de ideias e a maior parte delas foi muito bem sucedida nisso, ou seja, geraram grandes quantidades de ideias. Por outro lado, poucas conseguiram criar processos que levaram as melhores dessas ideias à execução e, talvez seja exatamente nesse ponto, a dificuldade de tornar as inovações práticas e viabilizá-las no dia-a-dia. Fazer a criatividade fluir e se transformar em resultados inovadores implica em envolver a maior quantidade possível de colaboradores no que vamos chamar de “Comunidade de Inovação”. Os estalos mentais espontâneos surgem em quantidade proporcional ao número e a diversidade dos participantes. Quanto mais e mais diferentes forem os componentes dessa comunidade, mais inovadores os resultados.

É nosso entendimento que inovação é um ato de criação seguido de implementação, fazendo com que a criação seja útil. Com isso, inovação, de fato, precisa ser acionável, pois o valor e os benefícios agregados são de grande importância para as empresas. Sob essa perspectiva, a geração desorganizada de ideias perde o sentido por não ser acionável. As empresas não estão carentes de ideias, elas as têm em grande quantidade, mas são ideias soltas, desconectadas dos desafios estratégicos. A preocupação mais frequente em ambiente corporativo é com as soluções estratégicas. Só que uma solução estratégica inclui a solução de inúmeros outros problemas menores e serão as soluções a cada um desses problemas menores que solucionarão o maior, o desafio estratégico.

Por sua vez, a gestão da inovação está ligada à documentação, registro e tradução das expressões abstradas e do processo criativo imaginário para resolução de problemas. É preciso entender que, se não forem bem trabalhadas e houver uma desconexão, uma pode acabar se tornando barreira da outra, ou seja, a gestão que exige processos, métricas, metas e formalidades de registro acaba atuando no sentido oposto da inovação, da liberdade para criações, do mundo das ideias e da abstração. Entretanto, sabendo dos limites das regras, da celeridade necessária para projetos e da consonância de atividades, é possível fazer uma boa gestão da inovação.

Como você tem trabalhado os processos criativos? Tem gerado liberdade e dado asas à inovação ou tem restringido e engessado trazendo um olhar mais formal para isso? Não existe fórmula mágica ou ideal, o importante é saber fazer diferente e garantir sua diferença foi documentada.

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