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Da caverna à luz da criatividade

Da caverna à luz da criatividade

Se tem algo que podemos dizer é que depois que libertamos a nossa criatividade das caixinhas padronizadas começamos a ver o mundo com um novo olhar, “o olhar do criativo”. Percebam que eu coloquei o olhar do criativo, porque é importante focar no sujeito que olha, pensa, planeja e cria. Mas, não é disso que vamos falar hoje. A ideia de hoje é tentarmos entender o que é essa passagem do olhar comum para o olhar criativo e para isso vou utilizar da Filosofia mais uma vez.

Para visualizarmos um pouco melhor, vou fazer uma analogia com um texto famoso dentro da Filosofia que se chama “O Mito da Caverna”. Alguns podem conhecer outros não, mas explicarei aqui de uma maneira bem simples. Imaginem que há pessoas presas dentro de uma caverna e tudo que elas conseguem ver são sombras daquilo que acontecesse lá fora. E um dia, uma dessas pessoas consegue sair da caverna e ao sair, ela é imediatamente cegada pela luz do Sol. Mas, com o passar do tempo, seus olhos vão se adaptando àquela nova luminosidade e, ao perceber o novo mundo diante de si, fica extasiada. O encantamento e o entusiasmo por essa nova realidade é tanto que decide voltar para a caverna e alertar as outras pessoas que lá estão, para que assim elas também possam ver esse novo mundo do lado de fora. Porém, a recepção não é das melhores e os prisioneiros que ainda estão dentro da caverna se enfurecem com aquele que veio para salvá-los e, assim, permanecem naquele mundo de ilusões. De maneira bem breve, o Mito da Caverna é esse. Então, agora quando alguém perguntar, vocês já podem falar que conhecem.

O propósito do mito, escrito por Platão, é trazer a ideia de como funciona o pensamento filosófico. Imaginem que a caverna é a visão que temos quando nosso conhecimento é limitado e sem reflexão. Dessa forma, é um conhecimento por parte ilusório. Mas quando decidimos sair dessa condição e ampliar horizontes somos esmagados pela realidade, pela quantidade de coisas que podemos conhecer e essa é a luz do Sol. Nos cegamos no primeiro momento, mas depois, ao acostumarmos os olhos, nos encantamos com esse mundo de possibilidades. E não contente apenas em conhecer esse mundo novo, queremos mostrá-lo a outras pessoas, queremos que todos vejam essa vastidão de pensamentos, de ideias. Entretanto, como vimos no mito, nem sempre a recepção é agradável e infelizmente há aqueles que preferem permanecer onde estão.

Pensando na mensagem do mito, parem para refletir um pouco e se questionem sobre esse processo do conhecimento: Ora, não é o mesmo com a criatividade? Nós não estamos sempre pensando dentro de caixinhas, de padrões e de maneira engessada, e aí nos vem o insight de querer mais, de entender a fundo, de não se contentar com a mesmice? E quando percebemos que a criatividade é mutável, construída ao longo do processo e um mundo muito maior do que poderíamos imaginar, ficamos atolados, cegos por essa nova luz. Temos a sensação de estranhamento, de incapacidade de conseguir entender, mas, ao mesmo tempo nos apaixonamos. Acostumamos os olhos a essa nova realidade e ficamos tão curiosos com a possibilidade de ampliar nossa visão, de conhecer mais, de criar mais que queremos chamar todo mundo, mostrar como é o mundo criativo. No momento em que se torna um criativo, não tem mais como deixar de ser.

O que devemos refletir é que podemos permanecer no conforto da caverna, na segurança daquilo que já conhecemos. Porém, dessa forma, não há inovação, não há mudança de paradigma e não há encantamento. O que quero dizer é que estar dentro da caverna funciona, mas não nos deixa ir além nem nos permite construir coisas novas. Então, se podemos aprender algo com isso é que temos de sair da nossa zona de conforto, arriscar, errar e tentar. É preciso traçar um novo rumo porque seguir a mesma estrada não te leva a um lugar diferente.

O olhar da criatividade é vasto, diverso e sim, penoso. Porque quando procuramos inovar, mudar ideais, quebrar paradigmas nem sempre seremos recebidos de maneira positiva. Às vezes, vai ser como na caverna, as pessoas vão se enfurecer, nos criticar e não nos ouvir. E por vezes, nós mesmos criaremos as nossas próprias cavernas. Mas escolher o caminho da criatividade é assim mesmo, é um constante arriscar, errar e mudar. O que não podemos deixar de lado é o encantamento por esse mundo, a paixão pelas possibilidades. Pois, o mais importante no processo criativo é sair da própria caverna e transformar o olhar todos os dias. 

Transformação Criativa
Marina Paula Garcez Bayer
Marina Paula Garcez Bayer Seguir

Formada em Filosofia e cursando Eventos, apaixonada pela Arte e pela Cultura, buscando sempre aprender algo novo e renovar conhecimentos. Acredito no coletivo, na riqueza das diferenças e nos diversos retratos da criatividade. Junto é mais bonito!

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