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Criatividade, ok! Mas, e a cria?

Criatividade, ok! Mas, e a cria?
Gilberto Marques
out. 19 - 3 min de leitura
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Será que o que temos criado, na verdade, não é uma bolha? Não estaríamos percorrendo o mesmo caminho que outras frentes, que deram no mesmo lugar? Criatividade não virará o lugar comum dos artistas e coaches, transformado em peças de R$ 1,99 e textos, frases e livros de auto-ajuda ?

Criativos geradores de conteúdo tem produzido ótimos conteúdos. Mas, e a cria? Perfis no Instagram, Facebook, Twitter, LinkedIn, Blogs, Youtube, Spotfy, entre outros, podem ser chamados de cria? Ou seja, o criativo tem conseguido transformar a ideia em algo novo a partir da criatividade? O que tem sido feito desse conteúdo tem afetado o modo como vemos o uso das ferramentas? Gera impacto o uso que temos feito delas? As empresas tem comprado a ideia associada a cria ou não estão entendendo nada? O público e as empresas conseguem assimilar essa inovação criativa?                                                        Ou os geradores de conteúdo continuam na fase do "não consigo vender minha ideia".

Artistas de várias linguagens, muito criativos, tem produzido ótimos trabalhos. Mas tem colocado sua arte em que patamar? Ou viraram produtores de obras de consumo de massa? A obra seria a única cria do artista moderno? Participar de Salões e Editais não exige criatividade e uma ideia que venda? Monetizar a produção artística continua sendo um problema?                                                                      Ou os artistas continuam na fase do "não consigo vender minha arte".

Em comum, artistas e geradores de conteúdo tem um desafio que é vencer a barreira da criatividade em direção a geração de receita a partir da sua produção, qualquer que seja. 

O receio de compartilhar é um dos pontos que pesam contra. Ainda carregam o estigma de que "alguém pode copiar minha ideia". 

Precisa saber de uma coisa: ideia está no campo do inconsciente coletivo, portanto, não tem dono. Enquanto a ideia está sendo protegida aqui, está sendo executada ali. Alguém fica com o mérito de ter executado, enquanto outros ficam com a frustração de saber que (também) tiveram a mesma ideia. Lembrando que existem canais legais de proteção de ideias.

O que diferencia um do outro é o poder de transformação por meio da colaboração, a menos que o criador detenha todo o processo nas mãos, o que acredito, mesmo que possível, não seja o mais viável.

Nessa hora, frases de auto-ajuda e teorias não colaboram, sendo o que mais lhes falta é indicar o caminho prático. Uma ideia só passa a ser propriedade quando escrita, desenhada. Então estudada, compartilhada, validada. Depois, transformada em planejamento, projetos e planilhas. Em seguida, testada. Então, vendida.

Um tanto genérico, mas fica a dica: o que estão comprando por aí não é sua criatividade (ideia, processo), mas sua cria (projeto, obra).

 


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