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Criatividade no trabalho remoto

Criatividade no trabalho remoto

Sim, trabalhar remoto exige muuuita criatividade em meio ao caos. Criatividade para fazer processos acontecerem à distância, em lugares e estruturas desconhecidas e nas mais surpreendentes adversidades.

Nestes meus dois primeiros anos de trabalho remoto pela Ásia, percebi alguns padrões em que a criatividade opera, por necessidade:

 

Criatividade para perceber a vida

Viajar por si só é inspirador para a criatividade humana. Descobrir novos lugares, perceber novas culturas e desenvolver soluções para problemas simples e complexos, faz parte das expedições. Quanto mais viajamos, mais repertório e referências excêntricas construímos. Por isso, viajar é expandir a mente para novas percepções possíveis da vida.

Quando estamos fora da nossa zona de conforto, construímos laços mais empáticos com o mundo e, quando viajamos por muito tempo, parece que nos abrimos para qualquer coisa (chega a ser engraçado). Por isso, uma qualidade importante que pode ━  e deve ━ ser trabalhada enquanto se viaja é a curiosidade. Ir mais a fundo no conhecimento sobre algo, pode trazer insights poderosíssimos no futuro.

Assim, uma mente criativa que trabalha remoto, utiliza não só o Google, o Pinterest e afins, mas o olhar atento para as novidades que estão ao seu redor no dia-a-dia. O visual, a cultura, a política, a forma, a história, a língua, o detalhe, os ritos, a música, a paisagem. Tudo isso é motivo para a mente exercitar a criatividade.

 

criatividade é um recurso infinito. Quanto mais você gastar, mais você tem. ― Tim Ferriss. Tools of Titans.

 

Criatividade no perrengue

A parte de maiores aprendizados pessoais e que sempre exigem muita criatividade acontecem quando há surpresas. Quando você perde um transporte, quando o Airbnb alugado é horrível, quando alguém te passa para trás, quando se esquece um documento, enfim, existem inúmeras situações que podem acontecer em uma viagem. Até porque, viajar é estar vulnerável.

Essas adversidades exigem um pensamento rápido, bastante inteligência emocional e um espírito solucionador. Mesmo assim, às vezes, tudo o que se precisa fazer, é sentar e chorar. Como eu fiz em Lombok na Indonésia, quando viajei duas horas para a capital com o intuito de resolver uma burocracia das grandes e descobri que era feriado muçulmano e que tudo estava fechado. Numa situação como esta, a melhor solução, no momento, é sentar e chorar mesmo.

Vejo que foram em situações extremas que eu tive que tomar decisões difíceis e que impactaram muito a vida. Mas agora estou bem treinada: como resolvo situações extremas hoje? Aqui vão algumas dicas para liberar a criatividade:

  • Deu ruim? Faça-se a pergunta: é possível esperar alguns minutos para tomar uma decisão? Se a resposta for sim, vá para um café, tire a mala dos ombros, refresque a cabeça e observe o ambiente ao seu redor. A solução vai vir assim que você se distrair e terminar o seu copo de café; 
  • Não pode esperar? Tenha planos disponíveis. Coisas que você poderia fazer ao invés do planejado e contatos que você poderia ativar, mesmo que a distância. Enfim, não tenha medo de mudar a rota, às vezes a mudança pode trazer uma belíssima oportunidade. Esteja aberto.

Reparei que eu e meu companheiro chegávamos muito cansados nos lugares entre as viagens, e no meio disso tudo tínhamos que resolver transporte, documentação e por aí vai. Uma solução tão simples, que nos fez ser mais criativos e pacientes nestas situações, foi apenas sentar e tomar um café. Dar tempo ao tempo em meio ao caos e a crise.

 

Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer. Amyr Klink.

 

Criatividade nos processos

Como Brand Manager, sempre operei muito próxima das empresas que eu trabalhei. Mas a saga de trabalhar remoto me fez ter que construir e repensar processos que até podiam acontecer de maneira simples pessoalmente, mas que agora exigiam muita gestão e amadurecimento da minha parte. Tudo tem que estar documentado e ser entendido de maneira fácil por todos a qualquer momento.

Para isso, tive que testar processos diferentes e entender o que funcionava melhor, recorrer a calls, conhecer plataformas e ferramentas que otimizam o trabalho e consumir muuuito conteúdo sobre o assunto. Trabalhar remoto exige uma postura em que você não é a vítima da falta de internet, da distância ou do imprevisto, você assume uma postura ativa de antecipar tudo que for possível prever e resolver tudo que for possível solucionar. Ou seja, haja criatividade.

No início pode parecer difícil, mas a verdade é que as coisas só melhoram com o tempo. Para quem trabalha remoto, #ficaadica: leve na mala muita paciência, paz de espírito e proatividade. E pode ter certeza que o caos não vai faltar.

 

Na minha opinião existem dois tipos de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para buscar. Érico Veríssimo.

 

Transformação Criativa
Angela Mansim
Angela Mansim Seguir

Designer de textículos. Livre & maluca, amém.

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