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AUTO CONHECIMENTO A PARTIR DE PROJETOS ARTÍSTICOS

AUTO CONHECIMENTO A PARTIR DE PROJETOS ARTÍSTICOS

Quem somos e os nossos processos criativos estão diretamente conectados. O que aprendi e continuo aprendendo é que algumas coisas são importantes tanto para criarmos e desenvolvermos projetos e investigações artísticas, quanto para a nossa transformação pessoal.

Os processos me mostraram que refletimos neles quem somos, com todas as nossas singularidades e diversidades. E o que criamos e experimentamos em nossos projetos nos transformam e nos abrem possibilidades de ser e a estar no mundo. Tudo se conecta. Por isso acredito que somos parte, e a nossa arte é a nossa extensão na mais pura definição.

E é a partir desta reflexão que vem a minha conclusão de que para começarmos um processo investigativo artístico e criar uma produção artística, requer coragem e vontade de transformar-se, pois será impossível sair ileso. E é preciso estar aberto e entregue para enxergar-se e deparar-se com você mesmo.

O caminho pode ser curto ou longo, mas iremos ter encontros e direções às vezes inesperados em que será necessário confiar, aceitar, ter resiliência, autenticidade e empatia. Da mesma forma que serão os próprios caminhos os responsáveis por nos ensinar tudo isso.

A seguir, algumas coisas que os meus projetos e investigações trouxeram para os meus dias habituais:

 

ZOOM
A importância de nos aproximar, de ir para perto para enxergar os detalhes. Trabalhar as partes para então entender o todo. Tirarmos tempo para cuidar e sentir cada encontro, descoberta, instante e sairmos do automático. Ir afundo e tentar enxergar o que está por trás, tornar visível o invisível.

 

TEMPERAR E DEGUSTAR
Ver os materiais obtidos, os registros, e descobrir o que eles têm a nos dizer e como eles se relacionam entre si. É ver o processo como um todo a partir das nossas próprias vivências. É interpretar cada parte do processo e perceber o que a sua mistura nos faz sentir. E reconhecer que uma produção artística carrega uma bagagem diversa e o resultado, podendo ser infinito, depende de como nós nos conectamos, dialogamos e relacionamos com tudo o que faz parte do processo.

 

RECONSTRUIR
Ter consciência e aceitar o processo e entregar-se a intuição – esta que virá quando nos abrirmos para sentir pois será ela que nos dirá para que direção seguir. Por isso, é preciso estar aberta a mudanças no meio do caminho e confiar na abundância. É preciso permitir-se recomeçar, apagar, refazer, desapegar e voltar, para então ousar, experimentar, renovar e transformar. Exige paciência, calma, reflexão e confiança. Mas o resultado pode ser incrivelmente surpreendente, pois muitas vezes é quando reconstruimos que damos a chance a um caminho que até poucos instantes estava invisível e inalcançável.

 

SINGULARIZAR
É poderoso nos tonarmos íntimos do processo e de todas as possíveis interpretações para uma mesma coisa. E é importante pensar em diversas possibilidades e nos permitir tentar até o impossível e confiar no processo, deixando com que ele fale por si só, pois o resultado será consequência de tudo até o momento. É sobre pensar em perguntas e soluções não óbvias. É termos tempo para refletir e não julgar qualquer pensamento e ideia que vier à mente. E termos a consciência de que somente nós poderíamos ter chegado a esta conclusão pois tem a ver com a conexão entre realidades. Carregamos as nossas próprias histórias e enxergamos o mundo com os nossos sentidos recheados das misturas das nossas experiências.

 

Todos os quatro pontos acima me fazem pensar e acreditar na arte como poder de transformação social. Ela nos abre oportunidades de experimentar diferentes formas de nos dar voz e visibilidade ao que carregamos dentro, assim como aprender a perceber o nosso redor através de diferentes sentidos.

 

Fernanda Georgiadis é artista, arte educadora, investigadora artística e designer. Criadora do @mapadeencontros onde compartilha suas investigações, edições independentes e oficinas.

Transformação Criativa
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