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Arte + Tecnologia: entenda por que essa mistura faz todo o sentido

Arte + Tecnologia: entenda por que essa mistura
 faz todo o sentido

A ideia deste artigo surgiu após assistirir o episódio da maravilhosa Neri Oxman no documentário Abstract (se você nunca assistiu, assista!).

Neri Oxman é arquiteta e designer. Conhecida pela arte e arquitetura que combinam design, biologia, computação e engenharia de materiais. Nasceu em Israel e atualmente mora nos Estados Unidos, onde é professora no MIT Media Lab, um laboratório inovador que tem como lema: “o futuro é vivido e não imaginado”.

A ideia central do episódio, e também da Neri, é mostrar que arte, ciência, engenharia e design podem e devem andar juntas, e assim possamos construir um mundo sustentável, mas ainda assim, muito tecnológico.

A primeira vista o que Neri faz parece até um pouco bizarro e fora de lógica, mas no decorrer do episódio você entende o funcionamento e as ideias e vê que é possível.

Eu particularmente sempre acreditei em todos estes domínios juntos, mas vendo o episódio e conhecendo um pouco mais da Neri, parece que finalmente tudo fez sentido.

Devido a isso, trago aqui alguns aprendizados obtidos no episódio e que podem te inspirar e ajudar a entender mais esta mistura:

1. DO PEQUENO AO MAIS COMPLEXO

Quando pensamos em tecnologia sempre pensamos em coisas visíveis, mesmo que digitais. São sempre blocos de coisas, blocos de dados, blocos de material. Um conglomerado de coisas. Sempre começamos pensando grande demais. Não conseguimos enxergar tecnologia dentro de um átomo, como enxergamos em uma aranha céu, ou uma máquina.

O que Neri nos mostra é que a engenharia pode acontecer em uma escala muito pequena. Um pequeno conjunto de moléculas pode dar origem a um material super resistente, que depois pode construir um prédio inteiro.

Como ela própria diz: para fazer grandes coisas, as vezes precisamos pensar pequeno.

2. MENOS MONTAGEM, MAIS CRESCIMENTO

Neri aborda muito a sustentabilidade e sua especialidade é a Biotecnologia.

Ela traz a reflexão de que nós, seres humanos, estamos imersos na natureza e não percebemos como ela acontece de fato. Insistimos em linhas de montagens, encaixando blocos e mais blocos, peças e mais peças, sendo que o natural é crescer e não encaixar.

O natural é crescer, fluir, ser infinito. Neri diz que a natureza não deveria ser um nome e sim um verbo, para que a gente começasse a naturar mais as coisas e a nossa vida.

A dica de ouro aqui é imitar a natureza e crescer como ela.

3. TUDO ESTÁ CONECTADO

Neri explica a relação da Arte, Ciência, Engenharia e Design como um relógio. Sempre um ciclo, sem meio e fim.

A Arte é expressão, a Ciência é exploração, a Engenharia é invenção e o Design é comunicação. Olhando estas definições e pensando em um relógio, vemos que a entrada de um domínio é a saída do outro.

A Ciência converte informação em conhecimento, logo após a Engenharia converte o conhecimento em utilidade. O Design, por sua vez, converte a utilidade em comportamento cultural e então, a Arte pega o comportamento cultural e questiona nossa percepção de mundo…e o ciclo recomeça.

Pense sempre no todo e no caminho que será percorrido. Nenhum problema será solucionado com apenas uma das partes. Sempre seguirá o andar do relógio.

Neri Oxman

4. ESQUEÇA SUAS DESCRENÇAS

Abandone a ideia de que arte e ciência são totalmente opostas. Esqueça a ideia de que um ser inteligente, não é um ser criativo.

A criatividade está em tudo. A arte está em tudo. Assim como a ciência e a tecnologia também.

Uma das frases em que Neri utiliza com seus alunos do MIT MediaLab e que os faz pensar é: o seu projeto deve ao mesmo tempo poder aparecer no meio do Museu de Arte Moderna e na capa da Revista Nature and Science.

Uma das alunas também cita uma ótima reflexão: alguns dos maiores cientistas seriam considerados artistas hoje em dia. E eu complemento que o contrário também é verdadeiro.

5. POR QUE? E POR QUE NÃO?

Outra abordagem interessante que Neri coloca para seus alunos, e também traz para o episódio, é sempre pensar no porquê e logo após por que não.

Na maioria das vezes apenas respondemos o porquê e Neri traz a ideia de fazer um brainstorming reverso. Uma ideia pode ser descartada no por que e resgatada no por que não. Algo muitas vezes taxado de impossível ou inútil em uma rodada de porquês, pode ser tornar relevante quando pensamos no por que não.

O por que não também pode nos dar um viés de sustentabilidade. É muito fácil criar respostas para solucionar um problema e não verificar suas consequências. Parando para pensar no por que não, conseguimos enxergar melhor os impactos e pensar em soluções que nos ajudem a conter os avanços dos impactos no ambiente.

A dica aqui então é nunca morrer no por que. Só descarte e confirme no por que não.

Nesse texto trouxe alguns pequenos aprendizados sobre o tema, mas o mundo da arte e da tecnologia é infinito e pode se conectar cada vez mais.

Fecho este artigo com a frase em que Neri também termina o episódio. Uma frase de um dos maiores físicos da história, que serve não só para este tema, mas para muitos outros e também inspira me inspira dia após dia:

“EXISTEM DUAS MANEIRAS DE VIVER SUA VIDA: A PRIMEIRA É ACREDITANDO QUE MILAGRES NÃO EXISTEM E A SEGUNDA É ACREDITANDO QUE TUDO É UM MILAGRE.” ALBERT EISNTEIN

 

Artigo publicado originalmente em Blog Ana Lisa, meu blog pessoal, no qual compartilho minhas ideias e muita mistura de arte e tecnologia.

 

Fonte imagem: The Mediated Matter Group.

 

Transformação Criativa
Ana Catarina Abel
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Product manager, produtora de conteúdo e embaixadora na WWWiT. Meu objetivo é inspirar as pessoas, principalmente outras mulheres, a encontrar a sua essência aliada aos pilares de criatividade, inovação e sustentabilidade.

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