[ editar artigo]

A Criatividade e a Bicicleta

A Criatividade e a Bicicleta

9 entre 10 palestrantes da criatividade afirmam que todos nascemos criativos e assim somos durante a nossa infância, e que o convívio social, a escola, a família e o trabalho vão tolhendo nossa capacidade de imaginação.

A mesma coisa acontece com andar de bicicleta. Quando crianças, sonhamos com uma bicicleta, aos tombos aprendemos a nos equilibrar nela e nos gratificamos com o vento no rosto, é uma das primeiras sensações de liberdade na infância. Já adultos, pensamos que a liberdade vem do automóvel, quanto mais rápido melhor! A velocidade passa a ter um valor enorme e o tempo encurta. Já não vemos detalhes, não observamos o tempo das coisas, as cores da cidade, se tá frio ou calor.

As grandes metrópoles do século XX foram desenhadas para o automóvel e até pouco tempo atrás, um adulto pedalando na cidade só podia ser maluquice ou falta de opção. Pouco a pouco, seja pela crise energética ou crises pessoais, cada vez mais malucos passaram a sair às ruas de bicicleta, como prática esportiva, como meio de transporte ou até como opção de viagem.

Ir e vir em bicicleta é redescobrir a cidade, a escala humana, o canto dos pássaros e mesmo as inconvenientes buzinas: serão humanos mesmo aqueles enlouquecidos dentro dos carros?

Mas o que isso tem a ver com a criatividade? Tudo! O tempo dos trajetos e o olhar atento nos faz perceber detalhes e sensações que despertam memórias e promovem novas conexões. A falta da casca de proteção que é o automóvel nos deixa mais permeável em todos os sentidos. E essa abundância de repertório inevitavelmente trará mudanças na nossa maneira de ver e estar no mundo.

Estamos em tempos de pandemia, não é seguro nem recomendável sair às ruas. Mas muitas mudanças estão no ar para pensarmos no pós-corona. Trocar o carro pela bicicleta alguns dias da semana ou para pequenos trajetos, pode ser uma experiência boa. Boa pra você, pra sua cidade e pro futuro do planeta em geral.

Sugiro 2 livros inspiradores: No Guidão da Liberdade, do Antonio Olinto, um brasileiro que fez a volta ao mundo, sozinho, de bicicleta e Diários de Bicicleta, do David Byrne, músico do Talking Heads que conta sua experiência de pedalar em diversas cidades.

Bora criar pro mundo e cuidar do mundo! Cuidem-se bem!

Teresa Mas

arquiteta, cicloviajante e gestora do Pavão Cultural em Campinas.

 

Transformação Criativa
Teresa Mas
Teresa Mas Seguir

Arquiteta de formação e curiosa por opção, tive oportunidade de trabalhar em diversas áreas, viver em diferentes cidades até achar meu próprio lugar. Hoje me interessam lugares incomuns.

Ler conteúdo completo
Indicados para você