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08 lições de vida com o Chef mexicano Enrique Olvera.

08 lições de vida com o Chef mexicano Enrique Olvera.

Parte da minha jornada vivendo aqui no México consiste em seguir o maior objetivo que nos trouxe até aqui: conhecer e viver a cultura desse país maravilhoso. Isso inclui conhecer lugares, comer todas as comidas possíveis (amo), ver documentários, conhecer pessoas e otras cositas más.

Aqui em casa assistimos muitos documentários e séries sobre gastronomia, digamos que é um dos nossos temas preferidos, rs. Gostamos de assistir, consumir gastronomia e explorar coisas novas, logo, estar no México nos permite vivenciar tudo isso de uma maneira muito especial pois a pluralidade e complexidade da gastronomia daqui é algo sem palavras.

Acabei de assistir na Netflix o documentário Chef's Table com o episódio sobre Enrique Olvera e sua história. Enrique é mexicano, proprietário e chefe de cozinha do Pujol, um restaurante de alta gastronomia mexicana na Cidade do México, que ocupa o 12º lugar no mundo de acordo com a lista anual de 50 melhores restaurantes do mundo em 2019, atualmente é uma grande referência na cozinha mexicana de autor. Fazendo um paralelo com o Brasil, aqui no México ele tem uma notoriedade como a do Alex Atala tem em nosso país.

A história do Enrique e seus aprendizados são bem inspiradores, por isso compartilho aqui com vocês 08 lições que podemos levar para a vida e que me inspiraram conhecendo mais sobre a história dele:

1) A maturidade é libertadora

Quando você conquista a maturidade, você vai se tornando melhor em diversos sentidos. Possivelmente você já viveu diferentes experiências que te fizeram crescer e já entende melhor o que agrega valor ou não pra você.

Além disso, você tem grandes chances de se tornar mais mais orgulhoso(a) de quem você é, se desprende de estereótipos sem medo, pode ter uma ideia mais clara do que quer e, com sorte, você entende que o céu o limite.

2) Seja fiel a você e sua essência

Desde cedo, Enrique sabia que queria ser cozinheiro e começou fazendo jantares para amigos, familiares e assim descobriu sua paixão pela cozinha. Na cultura da época, ninguém botava muita fé na profissão de cozinheiro, e ele ainda vivia em um país (México) com uma cultura que reforça profissões tradicionais. Digamos que ele não ouviu a opinião das pessoas e seguiu buscando seu sonho, o que sua intuição e seu chamado interior vibravam. Aparentemente deu certo.

3) Aproveite e viva sua jornada plenamente

Muitas pessoas entendem que o sucesso é chegar a um lugar X. Enrique fala, vive e acredita que sucesso é o que você faz no cotidiano, no dia-a-dia e todos os dias. O foco no reconhecimento, na opinião dele, não é o mais importante e prioritário, é mais uma consequência do que um objetivo em si. 

4) Se tornar uma referência em algo que você faz exige um trabalho diário

Muitos de nós somos imediatistas, queremos fazer ou construir algo e logo ser uma referência para outras pessoas. Esquecemos muitas vezes que tornar-se uma referência em algo exige dedicação e construção consistente. Ao mesmo tempo, Enrique mostra muita sensibilidade em avaliar a si mesmo e sua própria jornada, o que lhe permite ajustar a rota rumo aos seus objetivos sempre que necessário.

5) As coisas acontecem no tempo que precisam acontecer

Não foi logo que abriu seu restaurante que Enrique se tornou referência no seu país, isso levou um certo tempo. Ele precisou muitas vezes ajustar sua estratégia, ações e contar com muita humildade para dar passos para traz quando precisou.

Isso me lembrou que as coisas acontecem em seu próprio tempo, tudo passa por um processo de desenvolvimento antes de desabrochar e chegar a um estado desejado.

Nada acontece do dia pra noite e ser inflexível nesse processo não ajuda a acelerá-lo.

6) A autenticidade floresce quando você se conecta com sua essência

Quando você olha pra sua origem, pra quem você é hoje, para o que você quer conquistar lá na frente e alinha tudo isso com suas atitudes, você floresce de um jeito natural, especial e autêntico.

Quando você se dedica a desenvolver esses pontos sem pressa, em seu tempo, e trabalha na consistência deles todos os dias, você tem grandes chances de encontrar um caminho autêntico e de originalidade.

O seu. 

É um processo que acontece sem que você perceba ou calcule meticulosamente. É o famoso focar na jornada e acreditar que as coisas acontecerão mais uma vez...

 Enrique se baseou por muito tempo na cozinha de colegas que não tinham a mesma essência que ele, ele não valorizou totalmente suas origens e quem ele era por algum tempo. Com isso, ele perdeu o ponto que hoje o faz ser tão reconhecido: quem ele realmente é.

Ao copiar outros modelos, ele não se deixava aflorar totalmente. Depois de um tempo ele percebeu que isso era uma perda de tempo e que o caminho aparentemente mais "curto" de encontrar um modo de operar, e que não representava a essência dele, estava na verdade bloqueando seu pleno potencial criativo.

Outra coisa muito legal que ele disse foi: "Não quero fazer pratos como minha vó, o que ela criou já existe, quero fazer coisas novas, usar o que ela fez como inspiração mas encontrar minha própria forma.

7) Algumas coisas são e sempre serão complexas

E fugir delas não as fará ser mais simples. Você só entende a complexidade de uma determinada coisa (e sai dela) quando você se envolve na questão, ou seja, quando você mete a cara.

Isso me lembrou muito meu processo de autoconhecimento, que no começo parecia um bicho papão, complexo e assustador. Só quando escolhi me envolver nele fui descobrindo o lado apaixonante da coisa...

Aos poucos você vai abrindo caminhos e descobrindo formas de transformar a complexidade em simplicidade.

8) Tudo está em constante evolução

Sua mais genial criação, uma versão do mole (um dos pratos mais tradicionais da culinária mexicana), tem um processo super complexo, milenar e único. Ele chegou em uma versão própria que agrada ao paladar de muitas pessoas. Ainda assim, ele está constantemente olhando oportunidades de fazê-lo cada vez melhor, ou, de evoluir sua criação.

E no fim ele fecha com uma frase que faz muito sentido pra mim: 

“É sobre ser criativo, mas ao mesmo tempo honesto consigo mesmo.”

Isso reforça que sempre preciso me lembrar dos meus valores, ouvir minha intuição e ter a sensibilidade para entender se o que crio está alinhado ao meu propósito.

No final das contas, viver esse processo de maneira genuína é o que importa pra mim, cada vez que eu me desconecto disso ou não sou honesta com quem sou, alguma coisa fica desequilibrada e tudo deixa de fazer sentido.

Obrigada pelas reflexões, Enrique.

Transformação Criativa
Julia Guedes
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Não sou coach e nem ofereço milagres, falo abertamente sobre saúde mental e ansiedade ✌🏽✨ Esse é meu Borogodó!

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