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UM FUTURO MAIS COLABORATIVO?

UM FUTURO MAIS COLABORATIVO?

Logo no início do meu primeiro texto aqui na Transformação Criativa, já quero te dar um banho de termos da moda: compartilhamento, código aberto, software livre, dados abertos, cultura maker, colaboração. Uma sopa de letrinhas do “futuro”.

É bem possível que em algum momento nos últimos meses ou dias você tenha tido contato com pelo menos um destes termos em blogs, sites ou palestras.

O que significam todos eles?
Não, meu texto não é sobre isso.

Pelo menos agora, não entrarei em detalhes sobre funcionamento e particularidade de cada um - quem sabe até numa próxima oportunidade - porque o ponto de hoje é outro: tudo isso junto está representando um movimento de grande ruptura na forma que fazemos as coisas.

Mais uma mudança. E essa é estrutural.
É isso mesmo! Estamos vendo, em tempo real, a possibilidade da transição de sistemas fechados e focados na concorrência para sistemas mais abertos, colaborativos e inovadores.

Justamente em um dos momentos mais traumáticos da nossa história recente, o espírito colaborativo e o trabalho em rede tem mudado a forma de encarar pandemia na busca de soluções para os problemas, principalmente se pensarmos que estamos situados em uma realidade que pouco incentiva e investe em ciência.

Segundo a TrendWatching, uma das empresas de tendências mais influentes do mundo, e que examina a sociedade em busca das tendências de consumo mais promissoras, traz as soluções Open Source (isto é, de código aberto) como uma das dez principais tendências do nosso mundo pós-pandemia. Acesse aqui: https://info.trendwatching.com/10-trends-for-a-post-coronavirus-world

E para começarmos a entender um pouco mais sobre esta transição, precisamos também entender como as coisas sempre funcionaram por aqui. As estruturas nas quais foram montadas as organizações que temos hoje pode ser explicada pela teoria de Paul Baran, inventor norte-americano, que analisou o funcionamento de redes e organizações, dividindo-as em três formatos: (1) centralizado, (2) descentralizado e (3) distribuído.

No primeiro modelo, o (1) centralizado, todo o fluxo de informações passa por um único ponto no centro da estrutura, e isso serve tanto para modelos de rede quanto para analisar organizações. Pegue como exemplo, no período das monarquias, quem detinha todo o poder. Eram os reis, certo? Portanto, se você quisesse conquistar ou derrubar um reinado, já sabia o que fazer: atacar o ponto central de poder.

É claro que com o passar do tempo e a evolução da sociedade, as chamadas redes (2) descentralizadas começam a ganhar força, trazendo o conceito de que em vez de um único ponto detentor do poder, é preciso possuir alguns pontos adicionais, e, desta forma surgem modelos de hierarquias. Hoje, a grande maioria das empresas funcionam neste formato, assim como nosso sistema político. 

Por outro lado, nos últimos anos, temos visto o surgimento e o crescimento de um novo modelo, que é chamado de (3) distribuído, despontando para direcionar como as empresas do futuro devem agir. Aqui, basicamente, todos os pontos se conversam, sem a necessidade de passar por intermediários, tendo uma estrutura de poder e controle distribuída entre todos os pontos, fazendo com que a rede fique mais “protegida” - pois se um ponto cair, todo o resto do sistema continua funcionando. 

Neste sentido, começamos a ver algumas organizações que operam parcial ou completamente desta forma, assim como o surgimento de tecnologias que facilitam a operacionalização deste modelo, como é o caso do Blockchain - a tecnologia por trás das criptomoedas.

Agora, vamos somar tudo isso ao fato de que vivemos em um mundo com clientes cada vez mais exigentes, com acesso global e alta velocidade de acesso à informação, novas formas de trabalho já surgem baseadas em modelos distribuídos, e isso impacta tanto as empresas tradicionais, quanto as mais jovens.

Enquanto as maiores costumam não ter toda a naturalidade necessária para lidar com um novo mundo que se apresenta e possuem uma menor sensibilidade e velocidade para inovar, as mais jovens sofrem com pouco capital e lhe faltam dados gerados por operações mais maduras.

O compartilhamento de informações e recursos entre empresas de diferentes portes geralmente é chamado de inovação colaborativa, ou seja, quando duas ou mais empresas se unem para trocar conhecimentos, dados e soluções entre si, ajudando ambas a atingir um estado de inovação e crescimento com agilidade e um custo menor. Já ouviu falar disso?

Agora pense em todo esse movimento sendo ainda mais impulsionado por tecnologias de código aberto, que permitem o desenvolvimento de diversas soluções por meio da colaboração contínua, e da cultura maker, que oferece ferramentas e soluções acessíveis, inteligentes e principalmente escaláveis. É isso que está acontecendo, uma vez que a pandemia está funcionando como uma aceleradora de futuros.

Consegue imaginar qual mundo podemos ter no amanhã?

Se nesse momento estamos percebendo - mais uma vez - de maneira escancarada o enorme valor que a colaboração tem, seja atuando no desenvolvimento de respiradores de baixo custo, com impressoras 3D fabricando equipamentos para profissionais de saúde, e até mesmo com plataformas sendo criadas por grupos que visam dar suporte para melhores tomadas de decisão baseadas em dados, imagine quando a tempestade passar e as empresas perceberem que dá para fazer diferente.

Espero que isso possa te inspirar para abrir horizontes e estourar bolhas por aí.

Futurismo não é sobre adivinhar o futuro, e sim sobre construí-lo.
Qual futuro você quer construir?

Até a próxima!
@lucasdieter

3 minutos no futuro

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